O dia em que descobri o sagrado

Publicado: 07/27/2010 em Dicas, Uncategorized
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Hoje eu acordei com vontade de escrever, de cuidar, de alguma forma sublime, entender e me fazer entender. Muita coisa para pouco tempo. Impossível. Pois bem, os minutos foram passando, sarcasticamente acenando em minha direção e eu resolvi deitar, dormir, hastear bandeira branca para os anseios da vida!

Fiquei com raiva. A sensação era de perseguição, ora eu era o algoz, ora era a presa, fugindo de todos os relógios que esse mundo há de ver. Suava frio, queria respostas, mas elas não vinham. Olhava os ponteiros e tinha a ligeira impressão de que eles não se moviam. Piscava lentamente e, para minha surpresa, 10 minutos já tinham me abandonado.

De repente, não mais que de repente, saltei da cama e resolvi fazer alguma coisa para ocupar o vazio. Fotos! Quero todas, das emolduradas pelo mofo às tiradas com a máquina digital. Cheiros, toques, ventos e sabores não paravam de bater à porta. Bem em tempo! Foi aí que percebi o que 25 anos podem fazer com uma pessoa nas minhas circunstâncias.

Um dia eu ouvi que a “saudade é o amor que fica”. Concordo, mas também acredito que a saudade seja o que o tempo deixa de presente. Sabe aquele aperto no peito que surge quando toca uma música, quando a ‘tia’ do colégio aparece no álbum ou quando o ausente se faz presente em uma foto? Está tudo embrulhado! Acho que encontrei o que fazer com os meus dias. De repente, não mais que de repente, a dor bateu, veio a lágrima e o aperto se tornou sufocante. Cansei!

Olho pro relógio mais uma vez… Já se foram duas horas, que me pareceram anos, especiais, ainda assim, anos. Por que será essa disparidade ao sentir horas à fio? O engraçado é ver os segundos não mais sarcásticos, mas sim faceiros. O passado é alguma espécie de aliado nessa luta? Sinceramente, estou perdida, especialmente no tempo.

Eu sempre gostei de sonhar, embora essa prática me descontrole. O momento é esse! Quero abraçar o futuro, descobrir o que tem do outro lado do muro. Quando vou ficar rica, os filhos que hei de ter, as viagens que me esperam… É possível ver o que eu quero ser quando crescer, e me sentir feliz assim. A casa vai ser nua, os móveis macios e as pessoas de carne, osso e alma! De repente, não mais que de repente, o desespero toma conta de mim. Não sei mais como pintar as paredes, decorar os cômodos e agradar a família. Não sei ao menos se serei tudo o que sonho. Tenho que levantar! Impossível é querer ser sem se saber o que já é.

Um olhar para o espelho, o reflexo do que consigo apalpar, a certeza de que não há muitas respostas, não por enquanto. A primeira real possibilidade. Consigo fabricar pequenos desejos e cumpri-los agorinha mesmo. Posso me pentear, acarinhar os queridos, caminhar em passos largos, parar quando quiser. A mágica se fez: o tempo não está contra mim, mas a meu favor. A saudade é sim o que a vida me deixou de presente e o futuro é a surpresa que a faz perseverar na evolução. O presente… Possibilidades a perder de vista.

Que horas são? Não sei, o relógio parou!

Tatiana Mattos

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